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Mais de 10 mil vigilantes atuam em MT clandestinamente
Por http://www.sesvesp.com.br em 16/02/2012 às 14:33:31

A confirmação foi feita pela PF e Sindicato dos Vigilantes de MT. Um homem chegou a levar um tiro no pé de um segurança.

A Polícia Federal (PF) e o Sindicato dos Vigilantes de Mato Grosso confirmaram que pelos menos 10 mil profissionais estão atuando irregularmente na área dentro do estado. A PF alerta para os riscos da contratação de serviço de segurança clandestino, ou seja, sem qualquer tipo de qualificação profissional e registro.

Conforme a Delegacia de Controle de Segurança Privada da PF, quando os seguranças vão armados para as ruas e estabelecimentos sem a devida orientação e treinamento específico, acabam colocando em risco a vida de outra pessoas.

Em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá, um homem sem licença para atuar como segurança acabou ferindo uma pessoa com um tiro no pé. A vítima, o autônomo Rodrigo Santos Taques, declarou que o despreparo do suposto segurança colocou em risco a vida dos clientes do restaurante, inclusive, a dele. Ele me abordou do lado de fora e mandou eu pagar a conta. Falei para ele que a conta já estava paga e pedi para tirar a mão de cima de mim. Mas ele atirou, desabafou Rodrigo, que foi atingindo no pé.

A Polícia Militar foi acionada e descobriu que o suspeito que atirou não tinha porte de arma nem permissão para exercer a função. Ele estava de forma clandestina, o que é proibido por lei. Mesmo sabendo do risco, tanto ele quanto o proprietário do estabelecimento insistiram nessa prática delituosa, afirmou o capitão da PM Juliano Paulo de Ataíde.

Para o presidente do Sindicato de Vigilantes de Mato Grosso, Valtair Lauriano, essa prática de contratação de profissionais sem a licença legal representa risco para o cidadão comum, bem como para o próprio contratante que vai conviver com pessoas despreparadas para atuar como segurança. Eles estão contratando pessoas que não têm conhecimento algum nessa área de segurança, alertou o sindicalista.

De acordo com levantamento feito pelo sindicato atualmente são 6.600 seguranças com registro. No entanto, o número de clandestino estima-se que seja de pelo menos 10 mil. O presidente do sindicato explicou que para ser segurança privado, o profissional tem que estar vinculado a uma empresa e portar a Carteira Nacional de Vigilância (CNV), além de estar devidamente uniformizado.

Para estar atuando conforme preceitua a lei, o profissional da segurança privada tem que estar ainda credenciado pela Polícia Federal e passar por uma capacitação para atuar de forma regular na área. Ele vai aprender noções sobre direitos humanos, legislação vigente, cursos de primeiros socorros, defesa pessoal, além de ter que apresentar documentos pessoais, certidão negativa de antecedentes criminais, atestado médico e psicológico de aptidão física e mental para o exercício da profissão, informou o delegado da Polícia Federal, Luciano Azevedo Salgado.

Apesar das fiscalizações, a delegacia de Controle de Segurança Privada admite que ainda existe seguranças ilegais. Nessa situação a gente encerra a atividade e adota as medidas administrativas e judiciária cabíveis, disse o delegado. Quem contrata seguranças sem registro também pode ser responsabilizado. Na esfera criminal, civil e possivelmente na fiscal e tributária, observou o capitão Juliano Paulo de Ataíde.
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